& 29.4.06
Já tentei por diversos caminhos e só há espinhos até onde a vista alcança. Ninguém realmente à disposição. Nenhum sinal sequer, que me indique a "saída". Nenhum.
Ela e seu mundo utópico estiveram aqui. Despejaram todas as ilusões possíveis e depois me deixaram sozinha...
A minha Dor é um convento ideal
Cheio de cláustros, sombras, acarias,
Aonde a pedra em convulsões sombrias
Tem linhas dum requinte escultural.
Os sinos têm dobres de agonias
Ao gemer, comovidos, o seu mal...
E todos têm som de funeral
Ao bater horas, no correr dos dias...
A minha Dor é um convento. Há lírios
Dum roxo macerado de martírios,
Tão belos como nunca os viu alguém!
Nesse triste convento aonde eu moro,
Noites e dias rezo e grito e choro,
E ninguém ouve...ninguém vê...ninguém...
× × × × × ×
* Doce e
"BelaFlor" tirando as palavras da minha boca.
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& 28.4.06
A noite passada chorei como uma criança. Não sozinha, como das outras vezes. Ele estava ali. Me amparava a cada lágrima, a cada soluço, a cada palavra angustiada que eu pronunciava com dificuldade. Foi uma noite longa, esclarecedora. Depois choramos juntos...e então pela primeira vez em muito tempo eu pude me sentir "segura".
* Decidi voltar às origens. Definitivamente a dança é um dos fatores que me completam. Eles me solicitaram, me analisaram como uma cobaia de laboratório e agora estou toda dolorida.
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& 26.4.06

Olhai! a Morte edificou seu trono numa estranha cidade solitária por entre as sombras do longínquo oeste. Lá, os bons, os maus, os piores e os melhores, foram todos buscar repouso eterno. Seus monumentos, catedrais e torres (torres que o tempo rói e não vacilam!) em nada se parecem com os humanos. E em volta, pelos ventos olvidadas, olhando o firmamento, silenciosas e calmas, dormem águas melancólicas. Ah! luz nenhuma cai do céu sagrado sobre a cidade, em sua imensa noite. Mas um clarão que vem do oceano lívido invade dos torreões, silentemente, e sobe, iluminando capitéis, pórticos régios, cúpulas e cimos, templos e babilônicas muralhas; sobe aos arcos templos magníficos, sem conta, onde os frios se enroscam e entretecem de vinhedos, violetas, sempre-vivas. Olhando o firmamento, silenciosas, calmas, dormem as águias melancólicas. Torreões e sombras tanto se confundem que é tudo como solto nos espaços. E a Morte, do alto de soberba torre, contempla, gigantesca, o panorama. Lá, os sepulcros e os templos se escancaram mesmo ao nível das águas luminosas; mas não pode a riqueza portenhosa dos ídolos com olhos de diamante, nem das jóias que riem sobre os mortos, tirar as vagas de seu leito imóvel; pois, ai! nem leve movimento ondula esse imenso deserto cristalino! Nem ondas falam de possíveis ventos sobre mares distantes, mais felizes; ondas não contam que existiram ventos em mar de menos espantosa calma. Mas, vede! Um frêmito percorre os ares. Uma onda... Fez-se ali um movimento! E dir-se-ia que as torres vacilaram e afundaram de leve na água turva, abrindo com seus cumes, debilmente, um vazio nos céus enevoados. As ondas têm, agora, luz mais rubra, as horas fluem, lânguidas e fracas. E quando, entre gemidos sobre-humanos, a cidade submersa for fixar-se no fundo, o Inferno, erguido de mil tronos, curvar-se-á, reverente.
* Hoje estive afim de
Allan Poe e sua
Cidade do Mar...
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& 25.4.06
Ultimamente meus dias se resumem a ficar horas navegando na internet, ou pensar em simplesmente
nada e tudo ao mesmo tempo, ou imaginar o tamanho da mediocridade que tem essa minha "vida". Hoje, porém, algo mudou: Sentei-me numa poltrona confortável naquela sala escura e desatei a falar com o meu reflexo. Ora olhando para a luminária em forma de girassol, ora para o quadro torto na parede.
A face oculta das palavras
às vezes se mostra
na mais estranha luz
e a parte escura
nunca antes revelada
aflora
ousada
com uma intimidade inesperada
como a primeira claridade
de uma aurora.
Todas essas malditas palavras sem pudor
que eu queria afugentar
mandar embora.
As palavras, elas, as palavras
suas luzes, seus ritmos, significados.
× × × × × ×
* Coloquei música no blog. Será que isso vai durar?
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& 24.4.06
Hoje não me sinto tão triste como nos outros dias, então retomei a construção do blog e isso me distraiu um bocado. Nem sequer percebi o tempo passar. Não gostei muito do resultado, está meio bagunçado, sei lá. Mas fica assim mesmo, afinal tive uma p*ta trabalheira pra ajeitar tudo e contei com o apoio de uma velha amiga que também entende do assunto. Nem sei se alguém vai se interessar em "
ler minha vida", mas isso não importa tanto nesse momento. Quero é desabafar, dizer o que penso e sinto, sem ter que incomodar ninguém e para isso, nada melhor que um blog.
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Só pra avisar que agora estou participando de um award: Forbidden Dreams.
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